terça-feira, 31 de março de 2015

Discurso de Isabel I da Inglaterra, 1601



Discurso Dourado transcrito


Transcrição do discurso de Isabel I, da Inglaterra, aos 141 membros da Câmara dos Comuns, no Palácio de Whitehall, em 30 de Novembro de 1601. Conhecido como "Discurso Dourado", trataria inicialmente da economia do país, mas a Rainha acabou por anunciar que era sua última sessão no Parlamento. 



Discurso


Senhor Presidente,


Nós ouvimos sua declaração e percebemos sua preocupação com nosso estado. Eu garanto-vos que não há príncipe que ame mais seus súditos, ou que possa contrabalancear ao nosso amor. Não há nenhuma joia, seja ela do mais rico preço, que pus antes dessa joia: falo sobre seu amor. Para eu estimar mais que qualquer tesouro ou riqueza; isso nós sabemos como premiar, mas o amor e o agradecimento eu acredito serem inestimáveis.

E, ainda que Deus tenha me ascendido tão alto, eu considero que a glória do meu reinado foi ter contado com seu amor. E isto faz com que eu não me alegre tanto por Deus ter me feito rainha, do que por ter sido rainha de um povo tão abençoado.

Portanto, tenho motivos para desejar nada mais que a satisfação de meus súditos, e isso é o dever que eu devo cumprir. Tampouco desejo viver mais dias que os necessários para ver vossa prosperidade, e isso é meu único desejo.

De minha parte posso disser o seguinte: eu nunca tive nenhuma ganância, avareza, nem uma pequena e rápida exploração de Príncipe, nem mesmo um esbanjamento. Meu coração nunca foi desviado para qualquer bem material. O que vocês concederam a mim, eu não o guardarei, mas concederei a vocês novamente. Portanto eu lhe rogo Senhor Presidente, renda-lhes quantas graças possa imaginar que meu coração anseie mas que minha língua não pode expressar.

Senhor Presidente, eu desejaria que o Senhor e todos se levantassem pois eu incomodarei-vos ainda com um discurso extenso.

Senhor Presidente, o senhor me agradeceu, mas eu tenho mais motivos para agradecer-lhe do que você a mim, e eu conjuro-lhe para agradecer aos da Câmara por mim. Se eu não tivesse recebido conhecimento de vocês, eu poderia ter caído num lapso de um erro, apenas por falta de informação verdadeira.

Eu já pus o Dia do Julgamento Final diante dos meus olhos para responder diante do Maior Juiz pela maneira que governei. Agora, se minhas generosidades reais foram abusadas, e meus subsídios se transformaram-se em dor para meu povo contra minha vontade e intenção, e se alguma autoridade sob mim tenha negligenciado e subvertido minha vontade para com eles, eu espero que Deus não coloque essa culpa e ofensa em meus encargos.

Eu sei que o título de um Rei é um título glorioso, mas assegurem-se que a glória brilhante da autoridade principesca não é tão deslumbrante aos olhos do nosso entendimento,  mas isso nós sabemos bem e lembraremos que também devermos nos dar conta de nossas ações antes do Grande Julgamento.

Ser um Rei e vestir uma coroa é mais glorioso para aqueles que veem, do que agradável para aqueles que têm de suportá-lo. Eu mesma nunca fui seduzida pelo glorioso nome de um Rei ou a autoridade real de uma Rainha, como fui encantada pelo fato de Deus ter me feito instrumento de manutenção de sua verdade e glória, e para defender seu reino do perigo, da desonra, da tirania e da opressão.

Nunca haverá uma Rainha sentada em meu trono com maior zelo ao nosso país, cuidado com nossos súditos, e com prontidão e vontade de arriscar sua vida para sua segurança do que eu. Por isto desejo não reinar mais do que o período de minha vida, e reinar deve ser para vosso bem.

E embora vocês terem tido, e poderem ter, muitos príncipes mais sábios e poderosos do que eu sentados nesse posto, vocês nunca tiveram ou poderão ter algum mais cuidadoso e amoroso.

E eu rogo que você, Senhor Controlador, Senhor Secretário, e vocês do meu Conselho, que, antes que esses senhores voltem para seus países, tragam-os todos para beijar minha mão.

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