quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Discurso de Charles Chaplin em "O Grande Ditador", 1940



discurso charles chaplin

Transcrição do discurso do personagem de Charles Chaplin no filme "O Grande Ditador", de 1940. A sátira, gravada quando Segunda Guerra Mundial já tinha começado, faz críticas ao nazismo e o fascismo. Veja um vídeo desta cena no final do post. 




Discurso


Me desculpem, mas eu não quero ser um imperador, esse não é o meu negócio. Eu não quero governar nem conquistar ninguém. Eu gostaria de ajudar todo mundo se possível, judeus, gentios, negros e brancos. Todos nós queremos ajudar uns aos outros, seres humanos são desse jeito. Todos nós queremos viver pela felicidade um do outro, não pela miséria um do outro. Nós não queremos odiar nem desprezar um ao outro. Nesse mundo existe um quarto para todos e a boa terra é rica e pode prover para todos.

O caminho da vida pode ser livre e belo. Mas nós perdemos o caminho.

A ganância envenenou a alma do homem, criou barreiras de ódio no mundo; marchou-nos para a miséria e o derramamento de sangue.

Nós desenvolvemos velocidade, mas nos enclausuramos nela; maquinário que produz abundância deixa-nos na penúria. Nosso conhecimento nos deixou cínicos, nossa inteligência duros e cruéis. Nós pensamos muito e sentimos pouco. Mais do que maquinário a humanidade necessita; mais do que inteligência, nós precisamos de bondade e gentileza.

Sem essas qualidades a vida será violenta e tudo será perdido.

O avião e o rádio nos aproximou. A própria natureza dessas invenções clama pela bondade do homem, clama pela fraternidade universal, pela união de todos nós. Até mesmo agora que minha voz está chegando a milhões no mundo todo, milhões de homens, mulheres, e crianças desesperados, vítimas de um sistema que tortura e prende seres humanos inocentes. Para aqueles que podem me ouvir, eu digo: não se desesperem.

A miséria se abate sobre nós agora é a passagem da ganância, a amargura do homem que teme o progresso humano. O ódio ao homem vai passar, os ditadores irão morrer, e poder que eles retiraram do povo irá voltar ao povo, e enquanto os homens morrem a liberdade jamais perecerá.

Soldados: Não se doem aos brutos, homens que lhes desprezam e lhes escravizam, que regimentam sua vida, dizendo a você o que fazer e o que sentir, que lhes perfuram, lhes devoram, lhes tratam como gado, como bucha de canhão!

Não se doem a esses homens artificiais, homens máquinas, com cérebros de máquina e coração de máquina. Vocês não são máquinas! Vocês não são gado! Vocês são homens! Vocês têm o amor da humanidade nos seus corações.

Você não odeia, apenas os não-amados odeiam. Os não-amados e os artificiais. Soldados: não lutem pela escravidão, lutem pela liberdade!

No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito: "O reino de Deus está dentro do homem."
Não em um homem, nem em um grupo de homens, mas em todo homem: em você!

Vocês, o povo, têm o poder, o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vocês, o povo, têm o poder de criar a vida livre e bela, de fazer dessa vida uma aventura maravilhosa. Então, em nome da democracia, vamos usar esse poder, vamos nos unir! Vamos lutar por um mundo novo, por um mundo decente que dará a chance para o homem trabalhar, que lhe dará um futuro, a velhice e a segurança.

Pelas promessas dessas coisas os brutos têm ascendido ao poder, mas eles mentem. Eles não cumprem suas promessas, e nunca cumprirão. Os ditadores libertam-se, mas escravizam seu povo.

Agora vamos lutar para que as promessas sejam cumpridas. Vamos lutar por um mundo livre, para abolir as barreiras nacionais, para abolir a ganância, o ódio e a intolerância. Vamos lutar por um mundo de razão, um mundo onde a ciência e progresso conduzam todos os homens à felicidade.

Soldados! Em nome da democracia, vamos todos nos unir!

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